Esses tucanos são geniais. Quando se pensa que eles chegaram ao cume da inteligência humana, eles vão lá e aprontam outra peripécia e deixa o mundo boquiaberto diante de tanta genialidade.
O ex-governador de São Paulo, Alberto Goldman, redigiu um relatório sobre o primeiro ano do governo Dilma e a executiva do PSDB amenizou a linguagem original do documento porque entenderam que Goldman pegou pesado com a santa presidente. A primeira missão dos tucanos geniais foi retirar os adjetivos medíocre, amorfo e insípido - palavras pesadíssimas, desrespeitosas e de comum uso popular. O Brasil se ofenderia com este estilo histriônico que arranca choro de velhinhas de noventa anos e assusta qualquer criança de oito anos que jamais diria palavras tão agressivas censuradas desde cedo pelos pais. Onde já se viu um filho apontar o dedo para mãe e dizer: “o suco está insípido”. Seria o fim dos tempos.
A coisa não parou por aí. Os tucanos censores não admitiram o rotulo fantoche para Dilma e também não permitiram que o primeiro ano da presidente (os tucanos censores diriam: presidenta, rapaz!) fosse tratado como o nono ano do governo Lula. Certamente os tucanos ligaram na casa de um destes intelectuais garbosos e perguntou: “ouça, você acha correto afirmarmos que o primeiro ano da presidenta Dilma foi o nono de Lula?” Diria o intelectual garboso nas palavras e safadinho nas ações: “não, não façam isso, não seria bom para o debate democrático”. Os tucanos com asas de anjo acataram a decisão do intelectual que, ao desligar o telefone, riu, ligou para José Dirceu, contou a piada e ambos deram risadas intermináveis.
Os censores com pena de anjo extirparam a horrenda afirmação de que a digníssima presidente foi tolerante com a corrupção. “O ex-ministro Palocci saiu porque quis”, dizia o documento original. A executiva preferiu publicar que o governo cometeu uma sucessão de erros e falhou em diversas áreas. Assim, claro feito uma estrada sem iluminação às 3 da madrugada.
O governo Dilma patinou na lama da corrupção durante um ano. 5, 6, 7, (eu perdi a conta, o Brasil perdeu a conta) ministros caíram denunciados de lesar o erário. O aparato estatal foi contaminado pela radicalização da lógica do toma lá dá cá implantada pelo ex-presidente Lula e dá sinais de falência no colo do governo Dilma. Parte significativa da sociedade está hipnotizada pelos bons ventos da economia. Atônita diante de tanta roubalheira e impunidade, outra parcela clama por fiscalização e projeto alternativo, no limite, clama por oposição. Mas, a oposição - nestes nove anos - preferiu dar as costas à sociedade, em especial, aos 44 milhões que votaram em José Serra e aos 20 milhões que ignoraram as urnas.
As desculpas de antes não tem mais valor. Dizem que o governo Lula comprou os principais movimentos sociais e por isso não há base organizada na sociedade. No entanto, em nenhum momento, a oposição tentou organizar um movimento político na sociedade nem mesmo quando esta se apresentou com as marchas contra a corrupção. A oposição se calou. Assistiu de camarote. Aliás, do camarote a oposição observa o show de horrores do governo Dilma tal como acompanhou a opera bufa dos oito anos de governo Lula.
Outra desculpa inaceitável é o papo de que a oposição é minoria. Na Venezuela, debaixo de patas de cavalaria e na mira dos canhões, a oposição perseguida e reduzida a pó reagiu democraticamente e elegeu mais parlamentares que os chavistas. O porco do Hugo Chávez ainda tem muita força por lá, em partes, porque os opositores de hoje negaram-se a fazer política ontem dando um golpe no bolivariano, mas, desta feita, reagiram à altura e servem de exemplo aos oposicionistas brasileiros que dormem em berço esplêndido em uma sociedade que nem de longe se entregou à tirania do partido único.
Entretanto, com este ato pusilânime e apolítico dos tucanos, o pouco de fé que os brasileiros depositavam na oposição se esvaiu. Os tucanos geniais da ala mineira, com aval do patrão Aécio Neves e do presidente Sérgio Guerra, conseguiram com uma espadada só perder milhares de simpatizantes e enterrar o pouco de energia que corria nas veias da oposição. Antes, a oposição vivia de costas para a sociedade, agora, resolveu esfaquear a coitada. Aonde vamos parar?
7 comentários:
Os tucanos jamais conseguirão vencer outra eleição presidencial, o problema nem é a falta de candidato competitivo, há pelo menos dois que certamente fariam um governo brilhante, José Serra e Álvaro Dias, o partido é que rasteja tanto quanto os da base aliada.
Portanto, já temos uma tirania do partido único.
Talvez a única solução seja criar mais um partido, mas não por políticos viciados no crime e certos da impunidade, mas pela sociedade que está aprendendo a se organizar. E que só convide políticos realmente íntegros e competentes para disputar eleições sem melindres nem traições.
Este seu texto foi no mínimo risível. Esfreguei os olhos e não acreditei que era mesmo seu, comparado à todos os outros, foi completamente insípido (rs). Foi meio, ou completo infeliz.
Lucas Belotti
Lucas, você é do tipo que adjetiva os textos alheios e não apresenta o argumento, portanto, infeliz é você, rapaz.
Eu fiz um comentário sobre a atitude pusilânime do PSDB. Nada mais. Como você entende muito de política, sob o manto do anonimato, deixou o tema de lado e partiu para o ataque pessoal. O que dizer de você?
Covarde, biltre, vigarista, rato, cretino e por aí vai.
Volte para o esgoto de onde você veio, moleque. Adeus!
Bom dia,
Sem muita critica, creio que o PSDB primeiro precisa vencer suas disputas internas, para depois disputar a presidência do Brasil.
Rose,
Criar um partido dá muito trabalho. O partido federalista está há dez lutando para conseguir registro. O PSD foi criado rapidamente porque foi fruto da debandada de políticos de vários partidos - sobretudo do DEM, em crise - para o grupo de Kassab.
Os partidos podem amadurecer. O PSDB, inclusive. Mudar a rota. Novos polos de poder mais corajosos, arrojados e densos politicamente poderão se tornar hegemonia dentro do partido. O tempo dirá.
Dantas,
O PSDB precisa de unidade, discurso, militância. Jogando contra si, o partido impossibilita as três coisas. O fato tratado no texto mostra que grupos contrários ao de Alberto Goldman (que é do grupo de Serra) mudaram o documento. Agora, o Sérgio Guerra sustenta que não se sabe quem amputou o original. Ou seja, há uma batalha interna sem limites, isto mata a unidade, a possibilidade de discurso e imobiliza os militantes.
Desse jeito, estão pedindo para perder.
Voce só precisa entender que o PSDB não liga pra corrupção, eles são farinha do mesmo saco do PT, eles não ligam pra ideologia, eles só querem mamar no governo, e ser agressivo de mais vai impedir isso. Voce tem que arrumar outro partido para adorar, o PSDB simplesmente não é o que voce quer que seja.
Anônimo, eu não adoro o PSDB. Informei!
Esse negócio de adorar é coisa de dogmático ou de oportunista. Não é o meu caso"
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