domingo, 15 de janeiro de 2012

Parabéns ao governador Geraldo Alckmin e à polícia de SP

Na noite de sábado, 14 de janeiro, no twitter, o governador Geraldo Alckmin apresentou os resultados da ação da polícia na cracolândia. Segundo ele, foram 149 presos dos quais 106 foram trancafiados por delitos diversos, 43 estão foragidos. 878 pessoas foram encaminhadas para abrigos e 212 para serviços de saúde. 80 se internaram voluntariamente.

O que se vê neste caso é ação do Estado para recuperar um espaço que foi dominado pelo crime. Na cracolândia, não existem apenas dependentes químicos sem direção na vida, por lá habitam assaltantes, estupradores e traficantes, pessoas que dominam uma área pública e tornam-na território do crime. Os cidadãos honestos, pagadores de impostos, temem trafegar nesses locais com medo de sofrerem violência. A obrigação do Estado é recuperar esses territórios. Assim o fez o governador Geraldo Alckmin.

A fúria de determinados setores da imprensa contra a ação da polícia foi incompreensível. Os articulistas de esquerda se apressaram para escrever as mistificações que geralmente escrevem nestes casos. Afirmaram que a polícia paulista escolheu o caminho da dor, da repressão e não o da prevenção.  O que eles chamam de prevenção eu chamo de preservação da criminalidade. Evidente que os dependentes têm de ser tratados e o governo os encaminhou para unidades de saúde. Outros, alijados da cracolândia, procuraram por conta própria ajuda médica. Pessoas desalojadas foram encaminhadas para abrigos. Agora, o que fazer com os traficantes, ladrões e aproveitadores de menores que semeiam o crime num espaço público? O correto é prendê-los e recuperar a área. Assim o fez a polícia paulista.

Polícia esta tão vilipendiada pela mesma imprensa que bate palma para as ocupações policiais nos morros do Rio de Janeiro. Como se nota, as posições de determinados setores da imprensa não levam em conta a eficiência da ação mas a cor da camisa partidária e o mandariam ideológico. Estes setores veem os bandidos como vítimas do sistema capitalista e entendem que o Estado deve tratá-los com carinho e liberar as drogas. Por isso, esses senhores criticam a polícia paulista e elogiam a polícia carioca que primeiro espanta os bandidos e depois invade os morros e não prende ninguém.

Já existe uma legalização branca do uso de drogas. Em São Paulo, em Brasília (nas barbas do poder) e em outras metrópoles existem cracolândias, e nelas, crianças e adultos usam as drogas para todos verem. O Estado deve ou não agir? Prevenir é deixar os dependentes perambularem feito zumbis pelas vias públicas e permitir que se formem territórios para o crime lucrar com a ausência do Estado, com o medo dos cidadãos e com o excesso de consumidores de drogas? Qual a proposta daqueles que defendem a tal prevenção? Aliás, estes são os mesmos que defendem algo no mínimo boçal: descriminalizar o usuário e prender o traficante. Isto é: é permitido comprar, mas é proibido vender. Há que se tratar o doente e dificultar a vida de quem pretende “tirar um barato” com cocaína e outras drogas que mudam o comportamento das pessoas e as tornam perigosas. Deve-se combinar prevenção com repressão.

A ação da polícia paulista na cracolândia está correta. Aliás, a polícia de São Paulo tem crédito com o cidadão de bem. Em doze anos, a taxa de homicídios caiu 88% em SP e o estado é o que mais prende bandidos no país.  Esta é a política de Segurança em São Paulo: investir em tecnologia, armamentos, treinar os policiais devidamente e combater o crime. Por estas terras, lugar de bandido é na cadeia e não nas ruas dominando centros urbanos.

A imprensa vermelha de coração ignora os feitos da polícia de SP - que é a mais exitosa do país no combate aos homicídios – para não desagradar o PT e não frustrarem suas crenças políticas. Essa gente não tem compromisso com os fatos e com a verdade. Os números apresentados pelo governador de SP Geraldo Alckmin provam que a intervenção do Estado na cracolândia foi um sucesso. Mas a luta continua, o governo estadual tem de manter a mesma postura.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Tucanos geniais

Esses tucanos são geniais. Quando se pensa que eles chegaram ao cume da inteligência humana, eles vão lá e aprontam outra peripécia e deixa o mundo boquiaberto diante de tanta genialidade.

O ex-governador de São Paulo, Alberto Goldman, redigiu um relatório sobre o primeiro ano do governo Dilma e a executiva do PSDB amenizou a linguagem original do documento porque entenderam que Goldman pegou pesado com a santa presidente. A primeira missão dos tucanos geniais foi retirar os adjetivos medíocre, amorfo e insípido - palavras pesadíssimas, desrespeitosas e de comum uso popular. O Brasil se ofenderia com este estilo histriônico que arranca choro de velhinhas de noventa anos e assusta qualquer criança de oito anos que jamais diria palavras tão agressivas censuradas desde cedo pelos pais.  Onde já se viu um filho apontar o dedo para mãe e dizer: “o suco está insípido”. Seria o fim dos tempos. 

A coisa não parou por aí. Os tucanos censores não admitiram o rotulo fantoche para Dilma e também não permitiram que o primeiro ano da presidente (os tucanos censores diriam: presidenta, rapaz!) fosse tratado como o nono ano do governo Lula. Certamente os tucanos ligaram na casa de um destes intelectuais garbosos e perguntou: “ouça, você acha correto afirmarmos que o primeiro ano da presidenta Dilma foi o nono de Lula?” Diria o intelectual garboso nas palavras e safadinho nas ações: “não, não façam isso, não seria bom para o debate democrático”.  Os tucanos com asas de anjo acataram a decisão do intelectual que, ao desligar o telefone, riu, ligou para José Dirceu, contou a piada e ambos deram risadas intermináveis.

Os censores com pena de anjo extirparam a horrenda afirmação de que a digníssima presidente foi tolerante com a corrupção. “O ex-ministro Palocci saiu porque quis”, dizia o documento original. A executiva preferiu publicar que o governo cometeu uma sucessão de erros e falhou em diversas áreas. Assim, claro feito uma estrada sem iluminação às 3 da madrugada.

O governo Dilma patinou na lama da corrupção durante um ano.  5, 6, 7, (eu perdi a conta, o Brasil perdeu a conta) ministros caíram denunciados de lesar o erário. O aparato estatal foi contaminado pela radicalização da lógica do toma lá dá cá implantada pelo ex-presidente Lula e dá sinais de falência no colo do governo Dilma. Parte significativa da sociedade está hipnotizada pelos bons ventos da economia. Atônita diante de tanta roubalheira e impunidade, outra parcela clama por fiscalização e projeto alternativo, no limite, clama por oposição. Mas, a oposição - nestes nove anos - preferiu dar as costas à sociedade, em especial, aos 44 milhões que votaram em José Serra e aos 20 milhões que ignoraram as urnas.

As desculpas de antes não tem mais valor. Dizem que o governo Lula comprou os principais movimentos sociais e por isso não há base organizada na sociedade. No entanto, em nenhum momento, a oposição tentou organizar um movimento político na sociedade nem mesmo quando esta se apresentou com as marchas contra a corrupção. A oposição se calou. Assistiu de camarote. Aliás, do camarote a oposição observa o show de horrores do governo Dilma tal como acompanhou a opera bufa dos oito anos de governo Lula.

Outra desculpa inaceitável é o papo de que a oposição é minoria. Na Venezuela, debaixo de patas de cavalaria e na mira dos canhões, a oposição perseguida e reduzida a pó reagiu democraticamente e elegeu mais parlamentares que os chavistas. O porco do Hugo Chávez ainda tem muita força por lá, em partes, porque os opositores de hoje negaram-se a fazer política ontem dando um golpe no bolivariano, mas, desta feita, reagiram à altura e servem de exemplo aos oposicionistas brasileiros que dormem em berço esplêndido em uma sociedade que nem de longe se entregou à tirania do partido único.

Entretanto, com este ato pusilânime e apolítico dos tucanos, o pouco de fé que os brasileiros depositavam na oposição se esvaiu. Os tucanos geniais da ala mineira, com aval do patrão Aécio Neves e do presidente Sérgio Guerra, conseguiram com uma espadada só perder milhares de simpatizantes e enterrar o pouco de energia que corria nas veias da oposição. Antes, a oposição vivia de costas para a sociedade, agora, resolveu esfaquear a coitada. Aonde vamos parar?

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Catástrofe política

As chuvas dão o ar da graça no mês de outubro. Em outubro, cidades de Santa Catarina foram arrasadas. Porém, é a partir de janeiro que as chuvas embalam durante semanas fazendo vítimas e destruindo cidades. Nesta semana, 66 municípios mineiros foram afetados e estão em estado de emergência (8 mortes, segundo a folha de SP, até a noite de quarta-feira, 4 de janeiro). No Rio de Janeiro, várias cidades do noroeste Fluminense estão em estado de alerta, um dique rompeu e a água invadiu o bairro de Campos.

Nos períodos de tragédia, os “estadistas” costumam fugir do batente e dos holofotes. Dilma adiantou suas férias, um grande ato para conter enchentes. Até agora, não ouvi satisfações do governador de Minas, Antônio Anastasia, sobre as políticas de sua administração para minimizar os estragos provocados pelas chuvas. Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro, ficou famoso por viajar para Europa em períodos de enchentes. Situação difícil para os governantes. Desastres naturais e avassaladores são incontroláveis, no entanto, boa infraestrutura e bons sistemas de alertas podem conter a voracidade destrutiva das águas e dos ventos. A experiência dá certo em outros países que passam por tormentas piores.

Situação difícil para os governantes. Porque muitos destes problemas de infraestrutura são decorrentes de anos de negligência do poder público e da sociedade civil, contudo, dos governos que aí estão muitos vigem o segundo mandato ou são continuação de administrações pretéritas, logo, devem ser cobrados, e com rigor. O que fizeram para melhorar os sistemas de alerta e prevenção de tragédias naturais? Muito pouco ou nada. Do contrário, nesta matéria, o Brasil não estaria tão atrasado. Se a situação é difícil para os governantes, mais difícil o é para os moradores de áreas de risco.

O ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, decidiu acalentá-los. Disse o que jamais deveria ter saído da boca de um governante, bradou: “morrerão pessoas neste verão e nos próximos. O Brasil precisa entender que o clima mudou, que vamos ter inundações, vamos ter alagamentos, deslizamento e mortes. Nós teremos vítimas esse ano, não queremos criar qualquer tipo de ilusão. Estamos procurando buscar essa consciência”. Em português claro, o ministro disse aos moradores de áreas de risco para se conformarem com seus tristes destinos, afinal, o governo federal, durante 2010 e 2011, não conseguiu construir o que já existe em vários países do mundo:  sistema de alerta e contenção de tragédias. Nestas horas, todo brasileiro consciente e não ufanista se pergunta: cadê os resultados do PAC? Por que o governo gasta milhões para construir estádios que terão serventia apenas durante a copa e não investe para retirar moradores de áreas de risco? Qualquer cidadão consciente estranha tamanha incompetência de um governo que se diz perfeito e faz propaganda do fato de a economia brasileira produzir num ano mais que a economia do Reino Unido, uma ilha minúscula que tem um per capita cinco vezes maior que o nosso.  Ou seja, a economia brasileira vai bem - graças a fatores externos e à capacidade produtiva dos brasileiros - e a maioria da população vai muito mal.

O ministro Mercadante culpa as mudanças climáticas. Ora, meu senhor, as tragédias climáticas sempre existiram. O fato é que a sexta economia do mundo não tem política de prevenção e é composta por cidades urbanamente desestruturadas. Vale mencionar o altíssimo déficit habitacional e a vilania de ricaços que constroem  mansões em encostas e contam com a vergonhosa complacência dos governos.  Para piorar a coisa para o lado do governo Dilma, saiu na imprensa a notícia de que o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, pegou 90% das verbas destinadas à prevenção de enchentes e aplicou-as em Pernambuco, estado onde o ministro é político. Eis uma boa oportunidade para a presidente mostrar que pretende por ordem na casa: ela deveria demitir o ministro e exigir critérios técnicos na distribuição destes recursos. Concordam?

Sem consciência.

O ministro fala em consciência. A consciência política está tão ruim no Brasil que apontar os defeitos do país virou sinônimo de traição à pátria. Pois é. Quem trai a pátria são aqueles que não cumprem as funções para as quais foram designados. Mais tragédias virão. Ninguém tem dúvida. Como ninguém tem dúvida de que as consequências poderiam ser menores se tivéssemos políticas mais efetivas para  minimizar as consequências das catástrofes naturais.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Respirar em algumas redes sociais é impossível.

As redes sociais amplificam o descaramento moral das pessoas. Nelas, a dissimulação, a covardia e a inveja, sentimentos inerentes à natureza humana, ganham dimensão muito maior.

Certa feita, um intelectual escreveu que a linguagem agressiva de alguns jovens ressuscitou um estilo jornalístico que parecia estar enterrado. O estilo de Paulo Francis, segundo ele. Um jornalismo deselegante, reacionário e desrespeitoso. Ele citou como exemplo de palavra agressiva o terrível termo: canalha, e requisitou que as pessoas se contenham e sejam mais garbosas. O valente levou sua pequena plateia de bajuladores ao delírio. Seu colega de profissão curtiu o post e cravou: “só utilizam palavras chulas”. Semanas depois, este mesmo personagem curtiu um comentário no qual um jovem se referiu a uma casa legislativa chamando os parlamentares de um bando de filhos da puta.

Incoerência? Sim. Eu já sabia. Conheço estes senhores pessoalmente e deles não guardo mágoas. Mas foram covardes comigo (e com outro colega) ao nos transformarem em fenômeno social a ser estudado e extirpado da face da terra. O argumento deles é excluir. Mas por que alguém que tem uma vida pessoal repleta de erros (alguns, criminosos) se mete a arrotar regra nas redes sociais? Porque estes personagens são velhos militantes da esquerda e se incomodam com o fato de ex-estudantes de ciências sociais escreverem comentários contra a esquerda. A suposta irritação com o termo canalha é desculpa para iniciar uma guerra de aniquilação daqueles dos quais discordam.

Eles reprovam um comentário que trata como canalhas estudantes que invadem reitorias e aprovam um comentário que trata como filhos de puta políticos que aprovaram uma lei que eles não concordam. Entenderam? Aos amigos de ideologia, tudo; aos inimigos de ideologia, a forca. Posam de iluministas. Dizem que devemos ter paciência com os estudantes da USP que quebraram patrimônio público – em nome da esquerda – e esfolam jovens que eles desconfiam serem conservadores.

É um jogo sujo. Sórdido, mesmo. É gente que confunde divergência ideológica com afinidade pessoal. Destes, nas redes sociais, existem aos montes. Gente que lê uma crítica a algo que gostam e passam a odiar o emissor da opinião para todos sempre. Odeiam a divergência. Não aceitam a crítica. A contestação, tampouco.

Estes valentes são produtos da era do politicamente correto. Da era em que bajular é mais admirável do que ser sincero. Da era em que debater coisas sérias é coisa para quem gosta de desperdiçar tempo e falar besteira é coisa para menino galante. Vivemos tempos sombrios de indigência intelectual e de “desvirilizacão” coletiva. A pessoa bajula para se dar bem na vida ou opina para agradar aquele padrão de opiniões tido como absoluto.

Por isso, as pessoas se tornaram sensíveis demais, medíocres demais e, ao mesmo tempo, autoritárias demais. Morrem diante de uma provocação e de uma ironia. Palavrão, nem pensar. A juventude, como nunca antes, quase ela toda, só escuta música melosa e despreza letras fortes e críticas. Intelectuais (academia, imprensa, mundo artístico e outros ambientes ocupados pela esquerda) não admitem opiniões fora do esquema de valores esquerdistas. Por isso, estamos diante de uma massa de pessoas que argumenta à base de mistificação ideológica e perdeu totalmente o interesse pelos fatos e pela busca da verdade.

Quem pisa em falso é logo vítima de um ataque de histeria de uma leiga qualquer. Hoje à tarde uma fulana me atacou no facebook porque postei um vídeo no qual Evaristo Costa e Sandra Annenberg fazem uma brincadeira que ofende a inteligência de qualquer humano fora deste processo de desvirilização e à espera de jornalismo sério. Repito: nos dias de hoje, quem tem argumentos, opinião e vontade de debater coisas sérias a sério, é visto como pária esquizofrênico e é isolado por amigos. E quem tenta agradar a deus e ao mundo com piadinhas idiotas será considerado legal – por esta razão que Evaristo e a Sandra estão no ar. Reitero: contestar a intelectualidade esquerdista na universidade, será perseguido; na internet, será excluído.

Essa gente não conhece o básico do direito à liberdade de expressão. Nas redes sociais, eles se deparam com uma opinião que não gostam e disparam contra o emissor: “seu reacionário”. Não são obrigados a concordar, fato! Mas eles não têm o direito de patrulhar o conteúdo alheio. Por que não argumentam? Vão cuidar de seus perfis. Sem querer querendo tornam-se ditadores a disseminar intolerância dentro da democracia porque só admitem opiniões que estão dentro de padrões tomados como verdade absoluta.  

É assim que funciona a sociedade das aparências e da hipocrisia. É assim que funciona a sociedade que transforma sinceridade e coragem em defeitos, e covardia e bajulação em virtudes. Isso é comum no mundo, no entanto, no Brasil, na sociedade do favor, do compadrio e do jeitinho, a coisa é mais grave e estúpida. Nestas terras, inteligente é quem tem diploma. Nestas terras, amigo é quem diz apenas aquilo que o amigo quer ouvir. Bom profissional tem de puxar o saco. Estes fenômenos, nas redes de relacionamentos virtuais, são amplificados. Dá asco!

Por isso, a vida em certas redes sociais se torna irrespirável. 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A Geni e os bárbaros do futebol

Membros da torcida organizada do Palmeiras pressionaram os diretores do clube para que não contratem o jogador Richarlyson. A coisa foi forte. Mesmo sendo período de festas de final de ano, os torcedores encontraram motivação para invadir uma pizzaria e intimidar os cartolas.

A torcida Palmeiras desdenha Richarlyson com tanta veemência por que o jogador não cumpriu um pré-contrato com o Palmeiras em 2006 e foi parar no São Paulo? - Claro que não. Thiago Neves também deu um pé no traseiro do Palmeiras (um traseiro tão chutado pelos próprios administradores – risadas – do clube) e hoje seria recebido com tapete vermelho por uma torcida carente de bons atacantes. De uma torcida que tem como ídolo um treinador. De uma torcida que tem como ídolo um ex-goleiro em e sem atividade.

Outra hipótese. Os torcedores do Palmeiras não querem Richarlyson porque ele é um jogador de baixa qualidade? Acertei? Não, errei. Pior que o Richarlyson praticamente metade do elenco alviverde o é e a torcida não invade pizzarias para pedir que estes jogadores procurem outra modalidade - bocha, por exemplo. Uma torcida que não reclama do Tinga por critérios técnicos não pode reclamar do Richarlyson por critérios técnicos. Tinga jamais seria campeão de bocha jogando contra si mesmo.

De fato, Ricky é fraco tecnicamente. Oscila entre mediano e ruim. Seria campeão de bocha jogando sozinho, mas, quando o assunto é futebol, exagera nas faltas e passa mais tempo suspenso do que em campo.

Depois de tanto suspense darei a resposta que todos sabem. A torcida do Palmeiras não quer Ricky porque o rapaz é considerado homossexual e este fato tornaria o alviverde imponente alvo de piadas maldosas como já foi o São Paulo quando o digníssimo jogador lá jogou. O que motivou a torcida foi preconceito. Um tipo de preconceito arraigado no meio futebolístico. Um meio quadrado, truculento e machista. Um meio lotado de homossexuais não assumidos que se saírem do armário serão tratados como aberrações.

Desconfiaram da homossexualidade de Ricky. Pronto. A faísca virou uma fogueira. Há quem diga que uma emissora pagou ao jogador para que ele assumisse em horário nobre sua condição sexual. Fizeram de tudo para impedi-lo. E impediram. Na seqüência, arrumaram-lhe uma namorada de última hora. Ele se apresentou no programa Gazeta Esportiva ao lado dela, qualquer pirralho de 6 anos ao ver o entrosamento do casal riu e perguntou: “estão pensando que eu sou criança?”. Não. O teatro não enganou nem mesmo a pessoas espertas como Dinei (centroavante do Palmeiras, faz trinta gols por ano e é alegria da torcida) e Tinga (que não ganharia campeonato de bocha jogando sem adversário).

Pronto. A fogueira virou incêndio. Surgiram campanhas de perseguição nos estádios e na imprensa contra o Richarlyson. O São Paulo virou motivo de piada de jornalistas, de comediantes, de adversários, tudo porque em seu elenco havia um suposto gay. A torcida do São Paulo, ao invés de acolher o garoto, toda vez que ele pegava na bola, gritava: “bicha, bicha, bicha”. (claro, nem todos os torcedores agiram desta forma, mas a maioria sim). O coro nazista foi repetido por outras torcidas. Uma coação psicológica covarde. Ricky estava em boa fase entre 2007 e 2008, chegou a ser convocado por Dunga para vestir o manto da seleção. Nada disso adiantou. A hostilidade contra o garoto continuou.

Hoje, ele joga no Atlético Mineiro. O Palmeiras tentou contratá-lo, mas, a torcida, como sabemos, teme as piadinhas e prefere vê-lo longe. Richarlyson virou uma aberração. Alguém que me lê gostaria de estar no lugar dele?

O universo do futebol é hipócrita. Ricky não é o que único homossexual desta seara de machos orgulhosos. Acontece que, a contragosto, o jovem saiu do armário. Virou a Geni do futebol. É fácil bater no bode expiatório. Quero ver o dia em que todos os futebolistas homossexuais resolverem sair do armário, provavelmente, a sanha machista sofrerá um belo golpe no estômago. Quando isso ocorrer, espero que os jogadores sejam avaliados pelo caráter e pela capacidade técnica, não pelo o que fazem na cama. 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O empobrecimento do debate político

A internet se tornou um enorme coliseu, no qual, petistas e tucanos travam uma guerra improdutiva para saber qual dos dois coleciona mais escândalos de corrupção. Tucanos acusam petistas de serem “mensaleiros”. Petistas acusam tucanos de terem deslustrado os cofres públicos no processo de privatizações de estatais no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Os tucanos têm a vantagem de acusarem o PT de algo que virou objeto de julgamento. A denúncia do mensalão foi feita pelo Procurador-Geral República, Roberto Gurgel, e aceita pelo Supremo. É provável que no próximo ano o processo seja julgado. José Dirceu é acusado de chefiar uma quadrilha recheada de petistas. As denúncias contra as privatizações, até o presente momento, não passam de suposições e ataques no escuro. Durante o governo Lula as privatizações foram vastamente investigadas pelo Tribunal de Contas da União e nada de ilegal fora encontrado. O único fato é que o PT que tanto criticou as privatizações as manteve intactas.

Mas a coisa não para aí. Há poucos dias, o jornalista Amaury Júnior lançou um livro no qual acusa os tucanos - sobretudo José Serra - de terem edificado um esquema de cobrança de propinas na época das privatizações e enviado dinheiro para ilhas fiscais. Amaury Júnior é jornalista do time oficial do governo federal e, em 2010, junto com outros nomes ligados ao PT, foi indiciado por ter devassado ilegalmente o sigilo fiscal da filha do ex-governador José Serra. A credibilidade de Amaury tem a mesma consistência de uma gelatina. Isto conta a favor dos tucanos, apesar de os petistas brigarem no Congresso por uma CPI para investigar as privatizações. Sem medo, alguns tucanos defendem a inquirição. A conferir.

No meio disso tudo, a democracia padece. Não há discussão política séria, briga-se, apenas, para saber quem responde pelo maior número de escândalos. Os certames revanchistas e ocos de substância ideológica pioram o quadro de despolitização. Contudo, a coisa poderia ser diferente.  

Mesmo nas denúncias de corrupção encontram-se fatores ideológicos relevantes que merecem reflexão e que poderiam dar um norte à oposição. Por que o PT, que passou anos pregando a moralidade pública, quando chegou ao poder, erigiu, como consta nas denúncias, o maior esquema de corrupção da história política do país? Por que o PT reage a acusações colocando-se como vítima de um surto moralista das "elites conservadoras"?  Por que o PT defende com tanta veemência o “controle social da mídia”?

O PT é um partido de esquerda e de tradição marxista. Baseado nas lições de Lênin, o Partido dos Trabalhadores atua para ser o Estado. Seguindo a risca as lições de Antônio Gramsci, o PT se coloca como o "moderno Príncipe", o condutor da sociedade rumo ao socialismo. Para tanto, o partido aparelha a máquina de forma voraz, torce o nariz para dividir o botim e utiliza os instrumentos da máquina estatal para fins partidários. Em 2003, depois de José Dirceu ter fechado acordo com o PMDB, Lula o desautorizou e esnobou o apoio. O mensalão foi uma forma de o PT alugar a base e comandar os principais escalões do Estado; reitero: o PT nunca fez questão de dividir o botim. Segundo as delações que constam no relatório de Roberto Gurgel, o PT utilizou bancos públicos para captar dinheiro e irrigar o Caixa 2 do partido que irrigava o mensalão. No mesmo ano, o sigilo bancário do caseiro Francenildo foi quebrado por gente do governo. São exemplos claros de confusão entre partido e Estado. Este ano, as denúncias que levaram mais de seis ministros do governo Dilma às cordas são provas cabais de que o modelo de governo centralizador, fortalecido pelo governo Lula, é uma fonte inesgotável de corrupção.   

O PT reclama de ser alvo de campanha “moralista”. No fundo, os petistas querem dizer o seguinte: “eles nos acusam daquilo que eles também praticam, na sociedade burguesa é assim, todo mundo rouba, com a diferença que nos roubamos em nome do bem, em nome da justiça social e da revolução socialista”. Entretanto, nas décadas de 1980 e 1990, o PT cresceu pregando a moralidade pública e, desta forma, ajudou a derrubar o ex-presidente Fernando Collor - também acusado de se beneficiar de caixa 2 montado pelo seu tesoureiro, á época, PC Farias. Agora, os petistas comemoram as acusações do livro do Amaury. Ou seja, acusações contra o PT, é campanha sórdida e moralista, acusações contra os adversários do PT, é motivo de festa.

O cinismo dessa gente não tem limites. Seguem à risca a lição de Lênin, acusem o adversário daquilo que você faz. Os líderes do partido mentem de forma descarada. Para os petistas, tudo vale em nome do poder. A moralidade pública e as instituições democráticas – coisas de burgueses, segundo eles – são desprezíveis. O PT só se lembra da moralidade, da imprensa e das instituições, quando delas precisa. Esse desprezo explica por que razão o Partido dos Trabalhadores defende o controle da imprensa, único ator social que faz oposição firme contra o governo denunciando as falcatruas que brotam nas alcovas do poder. E, para um partido marxista, oposição tem de ser extirpada.

A ideologia não morreu. O que morreu - no Brasil, sobretudo - foram os embates ideológicos.  O PT - e outros setores da esquerda – desejam mais controles estatais sobre a economia e sobre a vida dos indivíduos. A lei da Palmada é um exemplo claro de intervenção do Estado na educação dos filhos dos brasileiros. Partidos comunistas amam controle estatal. Por isso, o PT pretende engolir o Estado, os fatos estão aí para comprovar. Por isso, o PT pretende censurar a imprensa, os fatos estão aí para comprovar. Cadê um partido com substância ideológica capaz de fazer o contraponto? Não tem. Pobre política brasileira. Resta-nos delirar com as bobagens que se lê no coliseu virtual. 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Os lobos em pele de cordeiros. Ou: tem de prevalecer o Estado de direito.

Semana passada, sabe lá quem postou na internet um vídeo que mostrava uma enfermeira espancando uma cadela até matá-la. Cenas chocantes. Difícil imaginar o que se passa na cabeça de um ser humano que comete tamanho desatino. Um dia foi um cachorro. Amanhã poderá ser outra criatura indefesa, uma criança, por exemplo. Todo cuidado é pouco.

Depois que o vídeo percorreu as redes sociais, reações indignadas se espalharam por todos os sites de relacionamentos. Correntes e mais correntes pedindo justiça, não a justiça que emana das leis, mas a justiça que desabrocha da raiva dos indignados do bem. Peço licença aos leitores, mas citarei um exemplo. Uma das campanhas expõe o suposto twitter da moça e afirma: “vou divulgar todas as suas redes sociais, sua vaca, e não vou descansar até que você pague pelo que fez”. Milhares de comentários foram escritos nas redes sociais e todos carregados de ódio e sede de vingança. A coisa não para aí. Correm pela internet os dados pessoais da moça, endereço residencial, CPF, nome de seus pais e do filho. Uma campanha sórdida, desproporcional e preocupante.  

Preocupante, mas não surpreendente. Massas e multidões ceifaram milhões de vidas em diversos momentos da história sob o pretexto de estarem a fazer o “bem”. Inocentes morreram em nome do ódio de supostos oprimidos que pretendiam despojar hipotéticos opressores. Quando chegam ao poder, revolucionários matam inimigos e aliados que contestem o grupo dominante. Sempre foi assim. Sempre será assim. Este motim que realizaram na internet contra a enfermeira não é o primeiro nem será o último, não se trata de revolução, mas de uma mostra convincente do que são capazes multidões - desprovidas de bom senso e conhecimento dos princípios básicos da civilização - enfurecidas pela sede vingança.

Os promotores destas campanhas sórdidas não pensaram em nenhum momento na família da moça. De quem será a culpa caso os pais e o filho dela sofrerem hostilidade física nas ruas? Estes humanistas que falam em nome da causa animal acham razoável que se desconte na família da moça a crueldade que ela cometeu? Os humanistas de meia tigela acham justo que mentecaptos cerquem a enfermeira e a façam em pedaços? Estes atos sanguinolentos lhes causariam prazer? Bom. Se as respostas forem sim, estaremos diante de criminosos muito piores que a agressora do cão. Criminosos que poderão ser responsabilizados se a jovem e seus familiares sofrerem qualquer tipo de ataque físico e psicológico.

Em hipótese alguma estou a defender o ato infeliz da meliante. Não sei de seus problemas psicológicos. Se ela os tem, que seja internada e tratada. O fato é que essa moça tem de responder nas barras da justiça, segundo as leis do Estado de direito, não segundo a gritaria das falanges do ódio. 

As redes sociais escarafuncharam um fenômeno social perigosíssimo e que merece atenção. Multidões e movimentos sociais, organizados ou não, em nome do bem, defendem as mais perversas vilanias. Outra coisa que me impressiona é a seletividade da indignação destes humanistas. A revolta desta gente apenas desperta quando o alvo de uma violência pertence a um grupo reconhecido no imaginário social como vítima. Animais, índios, negros e homossexuais, são algumas das categorias consideradas por centenas de iluminados os eternos perseguidos e caçados 24 horas por dia. Quando um homossexual morre estuprado nas noitadas, as multidões gritam contra a homofobia. Quando um homossexual mata nas noitadas, a mesma multidão se cala. Na mesma semana em que a enfermeira espancou o cão, um casal homossexual torturou - isto mesmo!!! - torturou um bebê e o matou. Não apareceu uma corrente na internet condenando o fato. Não defendo correntes - que só servem para bocós se sentirem politizados e úteis -, mas me estranha a incoerência contida na bondade destas turbas de cordeiros. O coerente seria condenar qualquer tipo de agressão, ocorra ela contra cristão, homossexual, negro, pobre, rico, animal ou contra um criminoso ainda não julgado.

Todo agressor deve responder por seus crimes nas barras da justiça. A sanha em se querer punir um criminoso com um crime ainda maior só reforça a necessidade de defendermos as instituições democráticas e as leis. Por mais que tenhamos impunidade no Brasil, mal ou bem, temos um Estado de direito. Pior seria se vivêssemos no Estado desejado pelos que pediram a cabeça da enfermeira. 

sábado, 17 de dezembro de 2011

Crise política sem freios

Campinas entrou no olho do furacão em 2011. Sucessivas crises políticas corroeram a cidade por dentro e colocaram-na nas páginas policiais dos principais veículos de comunicação do país. Teve de tudo. Primeira-dama e vice-prefeito acusados de liderar esquema de corrupção. Vice-prefeito preso. E o prefeito Hélio de Oliveira Santos cassado pela Câmara Municipal.

Antes da crise, a cidade respirava ares de confiança e crescimento. O ufanismo podia ser percebido nas peças publicitárias do governo e no olhar dos campineiros. Com a crise, a luz da cidade se apagou. Obras e investimentos caíram devido ao clima de instabilidade política. O campineiro encontra-se desorientado diante da avalanche de informações que cora de vergonha a face de cidadãos decentes.

O atual prefeito da cidade, Demétrio Vilagra (PT), foi considerado pelo Ministério Público o chefe do esquema de corrupção que iniciou a crise política. Está no poder. Vai entender. Demétrio foi afastado pelos vereadores. Voltou nos braços de uma liminar judicial. E agora, a Câmara, novamente, decidirá o destino do petista. Petistas de auto-calibre, entre eles o deputado estadual Renato Simões, Secretário de Governo, têm a missão de blindar Demétrio e mantê-lo até o final do mandato. A estratégia até aqui consiste em borrifar os adversários no legislativo e acusá-los de adiantar a briga pelo pleito municipal, que ocorrerá em 2012. A troca de farpas entre legislativo e executivo enoja ainda mais os campineiros.

Para ajudar a desmoralizar de vez todos os poderes institucionais do município, os vereadores aumentaram os próprios salários em 126%. Vale relembrar: Dr. Hélio, a princípio, não foi citado no processo do Ministério Público, mas sua esposa – que ocupava o cargo de chefe de gabinete – foi considerada comandante de quadrilha pelo MP, por isso, a Câmara cassou o prefeito. Cassou-o politicamente. Desta feita, os vereadores ignoraram o cálculo político e pensaram apenas nos próprios bolsos. Não há razão técnica que justifique o aumento, a cidade vive a maior crise política de sua história, os vereadores deveriam ter pensado na moralização política e, ao contrário, elevaram suas remunerações às pressas e trataram manifestantes no porrete. Não deu outra. A Câmara foi desmoralizada. Os vereadores ignoraram as conseqüências políticas para legislar em causa própria. Faltou espírito público. Faltou espírito republicano (ah, “faz me rir”, a maioria dos legisladores nem sabe o que é isso e, desgraçadamente, a maioria da população idem). Falta a estes senhores cultura política democrática que lhes faça enxergar que mais importante que o bolso deles, num momento de crises políticas sucessivas, é a instituição Câmara Municipal, pilar da democracia.

Os vereadores passarão. A Câmara de Campinas ficará. Infelizmente, com essa mácula histórica. O caso de Campinas não é um exemplo isolado. Há algo de muito podre corroendo as instituições democráticas deste país. Legisladores a legislar em causa própria. Cidadãos de mãos atadas. Partidos e movimentos sociais atuando para destruir a democracia. Votos de protesto que elegem figuras apolíticas pipocam aqui e ali. Impunidade por todo lado. A despolitização é perceptível no eleitor, no político, no jornalista e no intelectual, que só pensa no outro mundo possível. Atualmente, é mais difícil esconder a corrupção debaixo do tapete, no entanto, o debate político sobre os fatos denunciados é precário.   

A democracia representativa sofre, mas resiste. Em 2011, os vereadores de Campinas (que votaram a favor do aumento) e os prevaricadores do executivo (aliados a empresários e servidores sem honra) deram caudalosa colaboração para enfraquecer a democracia. 2012 será o ano para os eleitores campineiros lembrarem-se disso.

domingo, 11 de dezembro de 2011

FHC namora seus detratores e cora de vermelho a plumagem dos tucanos.

Na segunda-feira (5), o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, foi o entrevistado do programa Roda Viva, da TV Cultura. 

A participação do ex-presidente foi desastrosa. Para agradar o mediador, fervoroso defensor da tese esdrúxula de que Lula não desrespeitou as instituições enquanto esteve na presidência, FHC ratificou a dita cuja - apesar de ter acusado reiteradas vezes o ex-presidente Lula de desprestigiar as instituições democráticas.

FHC se contradisse. Acovardou-se. Mais uma vez. O principal líder dos tucanos, aquele que personifica a oposição, que a orienta, que a lidera simbolicamente, afirmou também que o PT é moderno. Pronto, foi dada a munição que o PT desejava para as próximas eleições. Pronto, apareceu o substituto temporário (espero que o ex-presidente Lula se recupere da doença que o acometeu e retome seu lugar) de Lula como cabo eleitoral do PT. Pronto, mais um balde de água fria naqueles que esperam uma oposição política no país. 

Já escrevi neste blog alguns textos em homenagem àquele que considero o presidente mais importante da história recente deste país, Fernando Henrique Cardoso. Já o elogiei como intelectual. Considero-o estupendo analista de política e sociedade. Ele é útil para o esclarecimento público, todavia, há muito, perdeu totalmente a capacidade de ajudar a construir um projeto alternativo de poder ao do PT. Para tanto, julgo, neste momento, FHC carta fora do baralho.

A tentativa excessiva de ser cordial apenas alimenta sua fama de gentleman - que lhe confere  admiração de setores isolados da sociedade que vivem de aparência -, no entanto, FHC, acima de tudo, além de analista e cavalheiro, é um político. E, por isso, certas análises de longo alcance e certas cordialidades ele deveria guardar na manga.

A estratégia recente do PT para dar densidade política à presidente Dilma Roussef consiste em aproximá-la do tucano Fernando Henrique Cardoso. Com isso, perde-se a aura de governo fanfarrão (que tinha à frente um líder capaz de se dirigir ao povo – Dilma não é- emitindo as mais abjetas barbaridades e todo mundo achava engraçado e aplaudia. Não, com Dilma nunca seria o mesmo), agrada-se determinada classe média e imobiliza mais ainda o discurso da oposição – que, sem Lula no páreo, teria, em tese, mais força. Entretanto, com Lula ou sem Lula, a oposição continua indolente, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ao se aproximar de Dilma Roussef de maneira tão elogiosa, está colaborando com o governo, não com o país, como ele pensa, e ajudando a mitigar a oposição.  

Quando FHC escreveu um artigo no qual afirmou que o povão estava com o PT – tese furada – por causa do Bolsa-Família e que por isso o PSDB deveria dialogar com a nova classe média através das redes sociais, um burburinho se fez na internet e, inteligentemente, como sempre, os tucanos começaram a se bicar publicamente e atacaram até mesmo seu guia. Internautas bocós, que de política entendem tanto como Vladimir Saffatle entende de latim, consideraram a proposta de FHC moderna. Não. A proposta foi vazia e veio carregada de pitos em seus aliados, FHC deveria ter conversado internamente sobre o assunto. Meses depois, os tucanos encomendaram uma pesquisa na qual se auferiu que o povo considera o PSDB um partido elitista, dentre outras barbaridades negativas. O resultado foi discutido publicamente pelos tucanos, para deleite do PT.  Trata-se de um partido incompetente e sem rumo. E de uma oposição desorientada.

FHC deveria parar de galantear o governo petista. Deveria interromper sua missão interminável de convencer os brasileiros de que ele é um dos intelectuais globais e um homem garboso, que sabe dar nó perfeito na gravata e domina a etiqueta como Pelé dominava uma bola. Todos sabem que o presidente é educado e um intelectual reconhecido internacionalmente.  Aliás, nos anos 80, FHC estava mais para maltrapilho do que para elegante. O marketing que colaborou com sua eleição a presidente fez dele um homem elegante também nas vestimentas. Acontece que não se constrói projeto alternativo de poder fazendo loas ao adversário e preocupado se o nó da gravata agrada a setores que julgam a tudo e a todos pela aparência. Estes setores não decidem eleição. Se o tucano abriu mão de controlar a língua em favor de seu partido, poderia, ao menos, não atrapalhá-lo.

FHC erra quando mima Dilma Roussef. Erra ao chamar o PT de moderno. Erra ao afirmar que Roberto Jefferson “teatralizou” as denúncias de corrupção contra o PT em 2005 (essa afirmação ele proferiu em sabatina à Folha de São Paulo na sexta-feira (9) - FHC, com estas atitudes, mais uma vez, municia o PT. Os petistas dirão: “estão vendo? FHC reconheceu o valor de Dilma e, tal como nós, considera as denúncias propaladas por Roberto Jefferson produtos de um espetáculo armado”. O grande objetivo do PT é desconstruir o mensalão. FHC deu uma mãozinha.

O ex-presidente está perdido. Entrou numa fase radicalmente politicamente correta. Debate temas da sociedade e se coloca ao mesmo tempo como representante da oposição e intelectual apartidário. Ato suicida politicamente. A população confunde as posições políticas do octogenário com as posições políticas da oposição. Os brasileiros pensam que a oposição também faz a defesa turva da descriminação da maconha e do aborto. Os brasileiros pensam que a oposição também julga o PT moderno e faz carícias intermináveis em Lula e na Dilma.  Com isso, uma parte significativa dos conservadores - que representam a maioria, embora desarticulada – cai no colo do PT.

Não tem como FHC se colocar como um ator político desconectado da política partidária. Ele já tentou fazê-lo e fracassou. E por uma razão muito simples: o ex-presidente é um personagem central no tabuleiro recente da política nacional, logo, não tem como ele passar despercebido. O PT, nas eleições, sempre fez questão de lembrar o ex-presidente como o feitor da administração maldita da qual Lula foi herdeiro. Logo, o ex-presidente, querendo ou não, tem de ser cabo eleitoral do PSDB, não do PT. E, cabo eleitoral, não pode fazer publicamente análises de longo alcance que colaborem com o adversário e espinafrem seu partido. FHC tem três saídas: calar-se, ajudar a levar o PSDB para direita liberal democrática ou de uma vez por todas colaborar para que seu partido construa um projeto de esquerda alternativo ao petismo. Como o Partido dos Trabalhadores domina os movimentos sociais, sindicatos e é bem articulado dentro das universidades, à esquerda, o PSDB ficará a ver navios. Sobrar-lhe-á a ingrata luta pelo voto materialista, que é o que decide eleição. E, nesse voto, o PT, hoje, levaria, outra vez, a presidência da República, porque a massa continua a consumir freneticamente e a nadar em créditos. PSDB só tem uma chance de sobreviver: colocar-se do lado oposto ao PT.

As denúncias de corrupção não surtem efeito favorável à oposição, dentre outras razões, porque a mesma faz questão de preservar a presidente Dilma e seu partido de ataques diretos e precisos. A oposição hiberna e o valente Fernando Henrique Cardoso, com toda sua energia, parece ser o grande calmante que leva os coalas da oposição ao sono profundo. De pires nas mãos ficam os eleitores de José Serra e dos parlamentares do PSDB, DEM e PPS, que votaram nestes senhores esperando que cumprissem o papel de opositores. Entretanto, cadê o conflito? Cadê o projeto alternativo? Nem união há na oposição. E, um dos senadores eleitos pelo maior partido de oposição e cogitado a ser candidato à presidência da República em 2014 não fez um só discurso duro que o colocasse como alternativa ao PT. Pelo contrário, Aécio e seu pupilo, Antônio Anastasia, estão lá a defender o petista mineiro Fernando Pimentel.

Aécio acredita que conquistará votos com aquele discurso repetitivo e modorrento de administração meritocrática e eficiente. Aécio Neves acredita que conquistará votos bajulando a imprensa, o PT, e a base governista. Não. O garoto de Minas, nesse compasso, não conseguirá nem mesmo ser candidato a presidente. FHC e Aécio sofrem do mesmo mal, a síndrome do bom moço. Alckmin, embora austero com certas vigarices, quando governa, também gosta deste estilo polido e, volta e meia, baba os pés da presidente. Sim, cálculo, tudo cálculo político para ver se conseguem chegar ao Palácio do Planalto. Não. Não conseguirão, não nessa toada que faz dos tucanos linhas auxiliares do governo petista. A impressão que se tem é que todos estão no mesmo barco. Daí, como diria o outro: essa gente se merece.

O trem da oposição caminha rumo ao penhasco. E o PSDB, se não tomar cuidado, desaparecerá em 2014. Os tucanos deveriam trocar o maquinista (o tempo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso passou; dura constatação, contudo, verdadeira) e mudar a rota. Falta comando no PSDB. O partido virou terra de vários donos. E esse negócio de passar os anos sonhando ser o adversário levará o partido à extinção. Anotem aí. E um recado final: ter coragem não desqualifica a oposição, o que a desqualifica é o fato de ela não cumprir o papel para o qual foi eleita.

E punto. E basta.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Minha ideologia não é a dos golpistas.

Indivíduos, sobretudo oriundos do curso de ciências sociais, adoram especular se sou de direita ou de esquerda. Dar-lhe-eis uma definição e espero que ela satisfaça essa corja de patrulheiros ideológicos: sou um democrata disposto a denunciar, desarmar e vencer golpistas vagabundos de esquerda ou de direita que se atrevem a solapar liberdades individuais e o Estado de direito. Gostaram?

E por que a esquerda apanha mais deste que vos fala? “Ah, quem é você?, suas opiniões não nos afetam”. Sério? Por que raios vocês não param de mandar, sob o manto do anonimato, impropérios a este blogueiro? Nas redes sociais, há intelectuais de mais de 60 anos que dedicam suas energias a dar indiretas em mim e em outros ex-estudantes de ciências sociais insinuando que somos reacionários fascistas. Vejam vocês como são tratados os que não seguem o mandarim esquerdista. A esquerda apanha mais porque, afinal, ela está no poder. É ela que domina as ciências humanas e afunda cada vez mais esse país no mar da indigência intelectual e moral. É da esquerda que advém um sistema de valores anticristãos que joga milhares de jovens nas trevas das drogas e da cachaça. Já escutei de professores de esquerda: “qual o problema de puxar um fumo”. Sim, meus amigos, quando o assunto é queimar mato a esquerda é PHD. Paulo Teixeira, deputado do PT, confirmou minha tese publicamente, disse ele: “fumar maconha na universidade é um ritual de passagem”.

Ritual de passagem uma vírgula, meu senhor. Assim como centenas de colegas, eu nunca fumei esta porcaria. Universitários, de todas as áreas, humanas, exatas e biológicas, até pelo vazio deixado pelo arrefecimento do cristianismo como norte moral, caíram num fosso hedonista no qual beber ilimitadamente bebida alcoólica e fazer uso de entorpecentes dos mais variados se tornou mais do que um ritual de passagem, tornou-se uma prática obrigatória que faz do indivíduo um ser normal em contraposição aos caretas que não sabem aproveitar a vida. Entenderam? Não basta ir à festa e se divertir, tem de surrar o fígado, usar droga, não se lembrar de nada no outro dia, e repetir o ato suicida 4, 5 vezes na semana. Compromisso, responsabilidade e estudo são coisas de bobos. Desorientados estão os professores que entendem que a maconha é um ritual de passagem, perderam o controle sobre a molecada insensata que não lê. Atenção, senhores acadêmicos, não culpem apenas a modernidade, vocês criaram esse caldo cultural hedonista e, atualmente, sem corar a cara, vós passais a mão na cabeça de estudantes que cheiram pó e invadem reitorias a ponta pés.

Sim, estes esquerdistas merecem críticas. Direitistas que clamam por golpe militar não têm, felizmente, base política para ferir a democracia.  Em situação oposta se encontra a esquerda: alcançou o poder político, domina diversas esferas decisórias do Estado e controla redações e universidades. Ou seja, a esquerda produz ideologia dominante o tempo todo e não admite concorrência ideológica. Os esquerdistas elegeram o PSDB como a direita da esquerda e não admitem nada fora deste esquema, o que surgir de direita deve ser extirpado, inclusive jovens articulistas – merecem ternura apenas os jovens que arrebentam patrimônio público na USP.  Essa esquerda não entendeu ainda que a alternância de poder e a divergência ideológica são cimentos da democracia. A todo o momento movimentos sociais e partidos de esquerda, com ajuda de seus braços na imprensa, na justiça, nas ONGS e nos sindicatos, tentam desconstruir os valores que oxigenam a democracia.

Através do PNDH3, confeccionado por movimentos sociais, o governo decretaria em uma pancada só a legalização do aborto, o fim da propriedade privada e a censura da imprensa. Essa gente não gosta de debater com a sociedade civil porque eles sabem o que é melhor para todos e possuem a chave para o paraíso, logo, passar uma discussão pelo Congresso, uma instituição burguesa, é perda de tempo; segundo a leitura destes valentes. Desprezam também a lei. No PNDH3, eles propuseram que, em caso de invasão de uma propriedade privada, o dono não poderia pedir uma liminar na justiça, teria de negociar com os invasores. Estabeleceria-se uma relação de igualdade entre invasor e  proprietário, podendo o invasor conseguir vantagens de seu ato criminoso. Inaceitável. Desprezam também a imprensa. Propuseram, e não foi uma vez, mas várias, o controle social da imprensa por um órgão eleito por deuses que sabem o que é melhor e pior para o público tão inocente e infantil. Tratar-se-ia de controle de conteúdo. Censura. Desprezam também o cristianismo. Além de encher as burras do movimento gay de dinheiro, o governo petista apoiou o tal kit-gay (polêmico, trata de comportamento e seria distribuído a crianças, logo, deveria ser debatido com a sociedade e o governo tentou introduzi-lo na calada da noite) e a lei de homofobia, que claramente viola o inviolável e principal artigo da constituição, o quinto. Na tal lei, poderia ser preso um pastor que pregasse que o homossexualismo é pecado. Ora, e a liberdade de expressão e religiosa, onde ficam? Daqui a pouco alcoólatras e divorciados também vão querer uma lei especial para processar cristãos que os definam como pecadores. Ridículo. Cada um tem o direito de ter a religião que melhor lhe aprouver, quem não concorda com os princípios cristãos ignore-os ou vá plantar batatas. A tal lei criminalizaria concepções filosóficas contrárias ao homossexualismo. Ai meu Jesus Cristinho, concepções filosóficas contra religiões são permitidas, NÉ.

Golpistas e caçadores do Estado de direito e das liberdades individuais, isto que estes fundamentalistas de esquerda são. Combato-os.