terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Angra dos Reis: tragédia política!

As chuvas fortes têm castigado diversas regiões do Brasil. É justamente nesta época que elas caem com mais agressividade e volume. Regiões suscetíveis a enchentes e deslizamentos tornam-se alvos das águas e, inevitavelmente, ocorrem catástrofes. Todos os anos São Paulo é alvo de enchentes: casas e avenidas alagadas e cidades submersas, imagens que se tornaram corriqueiras ao longo de décadas. Mas, nem sempre, acontecem tragédias como a que ocorreu em Angra dos Reis, Rio de Janeiro, na virada do ano.

Não se sabe ainda a quantidade de vítimas. As imagens estarrecem os cidadãos. Nos morros e encostas de mares, a força das águas empurrou toneladas de terra abaixo esmagando o que tivesse no caminho. Casas, pessoas e vegetações ficaram soterradas. Estas regiões de encostas de mares oferecem riscos constantes de deslizamentos, por isso, para se construir nessas áreas é preciso autorização do Estado mediante aprovação técnica (estudo rigoroso do solo). Ainda assim, quem pode calcular a fúria da natureza? Para piorar, várias destas regiões são ocupadas ilegalmente ou com anuência do descaramento oportunista de certos políticos.

Vários desabamentos acometeram regiões de ocupação ilegal. Pessoas pobres e sem habitação invadem estas áreas e constroem a esmo. Políticos, interessados que se formem currais eleitorais, fazem corpo mole e depois que germinam as favelas fazem demagogias com as necessidades das pessoas. Não há política de planejamento urbano no país, só depois da redemocratização, nos anos 80, os governos fortaleceram as políticas habitacionais. Ainda somos assolados pelo déficit habitacional, problema que está na raiz das ocupações ilegais. Afinal, só na cabeça de gente perturbada existe a hipótese de que pessoas humildes invadem áreas de proteção ambiental por mero desvio de conduta.

A ilegalidade não tem faixa de renda e entre os ricos é mais cínica. Eles ocupam ecossistemas por vaidade, egoísmo e indiferença cívica. Sabem que as áreas são de proteção ambiental, mas locupletam-se com políticos e conseguem autorizações escusas para construírem suas robustas mansões sob o peito de ecossistemas protegidos ou em locais de riscos. Na maioria das vezes, não se importam em massacrar o meio-ambiente, o que vale é construir suas vivendas e os pilares de um status social egocêntrico.

O caso Angra dos Reis é uma síntese de um todo bêbado. Diversos pontos turísticos do Brasil são ocupados ilegalmente com a omissão do Estado e da sociedade. Em regiões onde o personalismo político é mais acentuado, e o poder público se confunde com o poder familiar e privado, fica mais fácil tecerem manobras que possibilitem ocupações de regiões ambientalmente protegidas. No nordeste, diversos ecossistemas estão ameaçados. Os mangues e as encostas de mares choram a cada estaca enfiada em seus pulmões para construção de casas. A lei é solapada pela força dos personalismos. Como imaginar uma intervenção pública isenta nesses casos? É preciso uma pressão de fora. Se a imprensa local é sufocada; porque a nacional não age? As lutas e os debates sobre esses assuntos regionais que, no limite, são temas nacionais, não podem ficar submersos no âmbito regional, precisam ganhar projeção nacional.

A relação comunidade e meio-ambiente é um tema fundamental. Temos bons exemplos de comunidades que, dentro da legalidade, extraem da natureza seus meios de sobrevivência e, ao mesmo tempo, preservam. Não há problema no eco-turismo e na apropriação devida de encostas de mares (dependendo da região) desde que não representem riscos e não estejam fora dos marcos legais e técnico-ambientais. Mas estes debates precisam ser transparentes e públicos para não terminarem em conchavos e decretos estranhos.

O que aconteceu em Angra dos Reis é um exemplo tenaz de conivência política e indiferença cívica. Apesar dos gritos eloquentes de organizações ambientais, o governo do RJ e a prefeitura de Angra permitiram as construções em áreas de risco. O decreto 41.921, em que o governador Sérgio Cabral nobilitou a construção de casas em áreas de proteção ambiental é a representação de que no Rio de Janeiro, o Estado é conivente com a expansão de construções civis em locais inapropriados. O decreto não é a causa da tragédia, mas representa a leniência política do Estado do Rio de Janeiro com a prevenção de futuras catástrofes. Vale dizer que, o ministério público contestou o decreto.

Ocupação indevida de áreas ambientais, favelização, aterros clandestinos em áreas de várzea, déficit habitacional, são problemas que estão na esteira destas enchentes e destes deslizamentos de solos. Para dirimir estes problemas precisamos de política de Estado e sociedade civil vigilante. (Estado pelo Estado não adianta; política dissociada da sociedade termina em tratados e decretos escusos). Do contrário, continuaremos sendo vítimas de tragédias anunciadas, como a que ocorreu em Angra dos Reis.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Dezembro: frases e comentários no twitter!

Todo mês vou selecionar algumas frases e comentários que fiz - ou reproduzi - no twitter e dividi-los(as) com vocês. Os leitores poderão opinar e escolher o melhor comentário ou frase. Começando por dezembro, lá vamos nós:

Frases que não são minhas em itálico!

28 de dezembro:


Depois de uma tarde chuvosa, entrou em cena, além da noite, o breu. Nuvens carregadas intimidam o brilho da lua!

Choveu bastante nesta tarde. Ousados, alguns raios de sol permearam as frestas das nuvens carregadas e deram o ar da graça.

O processo de atrofiamento do partido Democratas tem sido voraz. O DEM está parecendo bolacha de água e sal vencida: está prestes a se desfarelar.

22 de dezembro:

"Tem gente tentando antecipar o processo eleitoral, tirando-me do foco do governo de São Paulo, mas eu não caio nessa". José Serra.

21 de dezembro:

Marta foi uma prefeita arrogante e intolerante com civis e imprensa. Demorou acordar. O governo não foi tão ruim, mas foi antipático e atrapalhado.

20 de dezembro:

Luxemburgo é injustiçado até quando tem culpa, porque representa o que brasileiro não gosta: ganhar dinheiro e vencer!

Sem dúvida a maior dupla de ataque que vi na minha vida: Bebeto e Romário. Não surgiu nada parecido depois e, talvez, não existiu antes.

19 de dezembro:

"O STJD é a mais perfeita herança da tradição bacharelesca e cartorial que caracteriza os usos e costumes de nossos colonizadores há mais de 500 anos". Juca Kfouri.

Barcelona venceu o Estudiantes. Foi a vitória do futebol que constrói sob o que destrói. Barcelona: futebol mais bem jogado do mundo. Mereceu o mundial!

Violência contra mulher (15 de dezembro):

Lá como aqui. Deu na Veja: trens de Tóquio, Japão, além de vagões femininos, apostam em câmeras para combater assédio sexual.

A cada 5 mulheres, 4 já foram molestadas sexualmente. No metrô de São Paulo também ocorrem casos graves de assédio.

Tempos modernos com homens pré-primatas. A falta de respeito com as mulheres é algo ultrapassado e vergonhoso!

15 de dezembro:

Ato civil pedindo "fora Arruda" não é só coisa de partido de "esquerda", mas de pessoas que se cansaram de engolir impunidade.

"Não fui eleito presidente para ajudar um punhado de banqueiros do Wall Street."
Barack Obama, presidente dos EUA.

14 de dezembro:

Deu no Estadão: Agaciel Maya aposta na amizade com Sarney, que é padrinho de casamento de sua filha, para não perder o cargo. É o compadrio.

Corrupção (12 de dezembro):

A democracia brasileira tem imperfeições como qualquer outra, mas, no nosso caso, precisamos resolver um dilema chave: a impunidade.

Estes senhores que praticam corrupção nos meandros institucionais de nossa democracia deveriam ser banidos da política e das organizações públicas.

Ninguém tem telhado de vidro. Operação Castelo de Areia, da PF, mostra a relação promíscua da Camargo Corrêa com partidos e servidores públicos.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Serra e Marina?

Corre na imprensa o boato de que setores tucanos estão cogitando a hipótese de construir uma chapa de Serra com Marina – ela de vice, claro.

Os dois se entrosaram bem no encontro ambiental em Copenhague. Serra falou de seus projetos de redução de emissão de CO2 na atmosfera que viraram lei em São Paulo. E, Marina falou de seus esforços, quando ministra do meio-ambiente, em torno do desenvolvimento sustentável. Ou seja, todo esse discurso ambientalmente correto que dá status de político consciente e preocupado com o combate ao tal aquecimento global.

Marina Silva, antes de sair do PT, já era tida por parte da mídia e dos acadêmicos como a salvação do Brasil. Deram demasiada relevância a sua candidatura antes mesmo de ser oficial. Diziam que Marina tiraria pontos de Dilma e que ia colocar o debate ambiental na agenda da campanha de 2010 etc.

Contra a corrente eu dizia: Marina não vai colocar o debate ambiental na corrida presidencial porque que ele já está posto em âmbito global, com ou sem ela, o certame ocorrerá. E já está ocorrendo: Copenhague, os debates na imprensa e na academia são a prova. Também disse que Marina não tiraria pontos de Dilma, mas sim de Heloisa Helena. Na mosca: Dilma cresceu nas pesquisas e Marina manteve a pontuação de sempre. Quem perdeu pontos foi Heloisa Helena, o terreno de seus pontos que era por volta de 10 foi invadido por Marina. E por quê? Porque o eleitor que vota na Heloisa Helena é o típico ex-petista. Aquele que, desiludido com o PT e antitucano, criou a terceira via. Aliás, o PSOL nasceu para ser a terceira via e ressuscitar o PT antigo em outro corpo. Marina ganhou boa parte desse eleitorado.

Dilma é candidata do PT e do governo Lula. Do seu lado ela tem a imagem de um partido forte, de um político popular e da máquina governamental. Não há dado político que prove essa idéia de que pontos de Dilma migrariam, em termos representativos, para Marina. Ex-petista decepcionado e terceira via estavam com Heloisa Helena, por conta de seu temperamento instável ela perdeu pontos para simpática, equilibrada e inteligente Marina Silva. Fato que não estranharia nem mesmo um alienígena.

Dilma só tem a perder para Serra – tanto que quando o nome de Ciro é excluído das pesquisas, Serra cresce e Dilma fica estacionada. Serra, depois de Lula, é aquele que o eleitor espontaneamente quer como presidente. Por isso, mesmo Lula tendo aprovação alta, Serra é líder nas pesquisas. Muitos eleitores, contentes com a estabilidade econômica e com o relativo crescimento, aprovam Lula, mas não querem o PT no poder. Entendem que a economia vai bem, mas acreditam que Serra – por todo seu histórico - será um presidente melhor do que Dilma. O trabalho do PT será mudar essa mentalidade e convencer o eleitor a apostar no continuísmo.

Se Marina vier a ser vice de Serra, ela tem muito a ganhar. Eu já dizia, Marina é uma candidata monotemática e vive da quimera dos que a amam. Ela precisa é de voto e para ter voto tem que convencer os cidadãos que no curto e médio prazo terão grana e melhores serviços. Portanto, ela precisa ampliar seu discurso e dirigi-lo para setores da sociedade órfãos de perspectivas. É uma tarefa difícil. Marina é navegante de primeira viagem, teria que ousar agora e colher os frutos em outras eleições. Sendo vice de Serra, poderia ganhar dimensão nacional, ser reconhecida como a candidata que, mais do que um pacote de retóricas simbólicas, tem projeto diversificado para oferecer à sociedade.

José Serra também teria muito a ganhar com Marina Silva. Ela, com sua agenda ambiental e sensibilidade social, poderia dar leveza ao discurso de Serra, visto como “economicista”. Marina é equilibrada e não representa a velha política do maquiavelismo radical onde, em nome do poder, vale apagar o passado, falar como se tivesse inventado o Brasil, fazer caixa-dois , mentir e ser cínico, porque se trata de jogo de poder, de política. Isso é inaceitável. Temos que superar essa lógica. Mas a questão aqui é outra: Marina simboliza a luta, a mulher pobre que venceu. Serra também era um jovem pobre, mas ele não resplandece essa aura, Marina sim. Ela tem muito a somar a Serra em termos simbólicos e ele tem muito a somar a ela, em termos concretos.

Marina rompeu com o PT, portanto, logicamente, não tem sentido ela com Dilma, mas com Serra sim. Copenhague, pode não ter aberto as portas para salvação do mundo, mas abriu para chapa Serra-Marina.

Mais uma coisa. Desde que Aécio ratificou, peremptoriamente, que não será vice de Serra porque vai trabalhar para eleger seu sucessor, o tucano, Antonio Anastasia e para sua eleição de Senador, o PSDB vem trabalhando firme para ter um vice que não seja do DEM. A história parece àqueles namoros praticamente terminado, mas que o namorado não tem clima de dizer à namorada que o romance acabou. Pois é, desde que o DEM se manchou com o caso Arruda, o PSDB tem feito de tudo para arrumar um vice que não seja dos Democratas. Primeiro, apontaram o nome de Itamar Franco, recém filiado ao PPS. E agora, Marina. O DEM ficaria na chapa, mas quieto. O partido poderá deixar a aliança e causar avarias à candidatura Serra. Eis ai, o grande obstáculo para a chapa Serra/Marina ou, até mesmo, Serra/Itamar. Por outro lado, as chances dos tucanos arrancarem o PMDB do PT, aumentaram.

A luta por alianças é o dado mais interessante do momento e assinala que a disputa para presidente já começou. Façam suas apostas.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Kassab: serrando o próprio galho!

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), pode ter as melhores e mais compreensíveis razões para aumentar o IPTU e as passagens de ônibus mas, sob o ponto de vista político, esta medida é um disparate.

São Paulo está tomada pela enchente que é das piores dos últimos anos. Não culpo somente o prefeito, os civis também têm alta parcela de responsabilidade pela radicalidade das enchentes - além da velha estrutura urbana da cidade e do mau-humor de São Pedro. Contudo, no momento de procurar culpados, a bomba sempre cai no colo do poder público, nesse caso, do prefeito de São Paulo.

A situação de parte da cidade é alarmante. Pessoas desalojadas, perdendo bens, trânsito parado etc. E, não faltam colunistas eleitoreiros bebendo da água suja das enchentes para atacar o prefeito Kassab e o governador José Serra e dar uma mãozinha para o PT. Esse fla-flu entre petistas e tucanos está presente na tinta de canetas e na caixola cerebral de muitos jornalistas e intelectuais que se negam a debater os problemas sociais com profundidade e encontrar soluções.
O que sobra é o campeonato eleitoral antecipado e, querendo ou não, nessa briga alguém sai ferido com o beliscão alheio. Em São Paulo, Kassab tem se beliscado.

Debater o estado de calamidade da cidade é o mais certo, mas, infelizmente, a política do oportunismo e da caça as bruxas é que impera, portanto, a cada passo errado do prefeito haverá uma banana para ele escorregar. E mais: a população tem uma percepção imediata e materialista da política, portanto, se o bolso do cidadão for ferido, o administrador de plantão será o culpado.

Enchentes, pessoas perdendo bens, a paciência e a perspectiva de futuro, daí vem o prefeito e aumenta o IPTU em 45% - seria 60% se não fosse a pressão - e agora quer aumentar o valor das passagens de ônibus. É um ato político suicida.

Kassab disse que a medida do aumento do IPTU não visa fomentar a arrecadação, mas fazer justiça tributária. Ora, se é esta a intenção, por que aumentar o imposto agora? É um desatino. É claro que a intenção é fermentar o bolo orçamentário da cidade, ano que vem teremos eleições. No entanto, não é a melhor hora para Kassab aumentar impostos e as passagens de ônibus.

O cidadão tendo que usar canoas para trafegar em São Paulo, num trânsito travado e com frotas de ônibus insuficientes e, muitas vezes, nada confortáveis; certamente, não receberá bem estes aumentos de impostos. Por mais que o aumento seja bom para o povo - o que eu duvido - ou para as pretensões políticas de Kassab - o que eu também duvido - à medida foi executada na hora errada.

O DEM - com fama de partido pregador de austeridade fiscal - vê seu último suspiro em um grande cargo executivo gastando com propaganda oficial, aumentando o número de subprefeituras e aumentando impostos. É uma incoerência política que trará consequências sérias ao partido.

A decisão de Kassab é um tiro no próprio pé, um sadomasoquismo político. Ou será que a equipe do prefeito e, ele mesmo, subestimam a fúria do imprevisível eleitor paulistano?

sábado, 19 de dezembro de 2009

Caso Jobson

Jobson, jogador do Botafogo, foi pego no antidoping no jogo contra o Coritiba. Foi descoberto cocaína no organismo do jogador. E, para piorar, no jogo contra o Palmeiras, o doping também acusou a droga no organismo do atleta. Com isso, ele se tornou reincidente e poderá ser banido do futebol pelo Código de Justiça Desportiva.

Essa decisão é demasiadamente cruel e ignara. Jobson estava prestes a ir para o Cruzeiro, jogar a libertadores e os clubes lhe viraram as costas. Excluir o jogador do futebol é arrancar de suas mãos seu sustento econômico e seus sonhos, é atirá-lo no mundo do vício. Os clubes deveriam colocar à disposição do jogador, profissionais que o orientem e busquem, junto com o mesmo, uma saída para sua carreira.

Se este Código fosse sério, o Botafogo também deveria ser punido e, por conseguinte, o Coritiba não cairia e o Palmeiras estaria na Libertadores. Jobson foi decisivo no jogo do São Paulo - será que ele também não estava dopado? Nesse caso, São Paulo seria campeão. Mas, segundo a legislação do futebol brasileiro, apenas o jogador merece ser punido.

Ou seja, um jogador sob o efeito da cocaína vence um jogo sozinho e justifica a incompetência dos adversários. Duvido que um jogador que utiliza maconha, cocaína ou qualquer outra droga social o faz para melhorar o desempenho físico. Isso é muito relativo.

Já, a exposição da imagem de Jobson como um degenerado social é um crime segundo a lei antidrogas. Usuário de drogas é um doente, não um pedaço de carne a ser triturado pela máquina da publicidade oportunista.

Os clubes de futebol deveriam ter um comportamento mais humano e responsável num caso como o de Jobson. Execrá-lo é destruir o futuro de um ser humano. E, destruir o futuro de um jovem é destruir um pedaço da solidariedade necessária para vivermos em sociedade.

É necessário que se exclua a demagogia, a hipocrisia e desumanidade do futebol, não o jogador.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Aécio desiste da candidatura à presidência da República.

Aécio Neves, governador de Minas Gerais, acaba de desistir da candidatura à presidência da República. Segundo o Radar, de Lauro Jardim, ele falou longamente por telefone com José Serra, se reuniu com o presidente do PSDB, Sérgio Guerra e formalizou a desistência.

Aécio Neves vinha crescendo nas pesquisas, mas seu desempenho estava abaixo de José Serra. É a terceira eleição seguida que seu nome foi cogitado. Ele já cresceu bastante, mas, por enquanto, a hegemonia ainda é São Paulo. Agora, mais uma vez, o candidato à presidência da República dos tucanos sairá daqui. Dilma é do Sul, ao que parece, e será a exceção na disputa. Embora, simbolicamente, o candidato petista seja o presidente Lula, de São Paulo. Ele aparecerá constantemente no horário eleitoral apoiando Dilma. Natural, sua aprovação é fenomenal.

De, outro lado, Serra também tem aprovação acima de 70% como governador de São Paulo. É considerado o melhor ministro da saúde que o Brasil já teve - em tempos em que o ministério de algo tão importante como a saúde não era palco de politicagens. (No atual governo, várias figuras já passaram pelo ministério. É dança que adoece a saúde pública do Brasil). Além disso, Serra é o mais bem colocado nas pesquisas eleitorais, é mais experiente do que Aécio. e consideram que esta seja a sua última chance de ser presidente, já que o governador se aproxima dos 70 anos; embora esbanje energia no cargo de governador.

Aécio já figura como o principal candidato tucano para 2014. Todavia, ao que tudo indica, Geraldo Alckmin vencerá as eleições para governador de São Paulo ano que vem, e, em 2014, poderá se colocar no calcanhar de Aécio. Tendo em vista que o DEM está enfraquecido, talvez fosse melhor Aécio aceitar o cargo de vice e ficar mais perto do palácio do planalto -, caso Serra vença. E, mesmo que Serra venha a perder as eleições ano que vem, Aécio já fortaleceu seu nome.

José Serra, até aqui, não havia assumido a candidatura à presidência. E fez certo. Não entrou no jogo de farpas. Governador tem que governar o Estado, eleições serão em 2010. Agora ele está livre para se proclamar candidato oficial dos tucanos à presidência da República. No fim, as tais prévias propostas por Aécio não passaram de especulações. Quem sabe no futuro.

Até aqui, esses são os movimentos da democracia brasileira, sem atalhos e atoleiros, sem autocracias e terceiro mandato. É um bom motivo para comemorarmos. No que tange a desistência de Aécio: José Serra e seus aliados que têm que comemorar.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Debatendo sobre as drogas

Passou da hora de todas as esferas governamentais ampliarem as campanhas contra as drogas. O combate não tem que ser apenas militar, mas é uma questão de ethos e de saúde pública. Usuário de crack é um dependente que, a depender de seu histórico social e de sua personalidade, pode se tornar um perigo eminente à sua família e à sociedade. Ele deve ser tratado e não execrado.
De todo modo, as escolas públicas devem trabalhar a dimensão dos valores com jovens, evitando ao máximo o moralismo e a tentativa de incutir uma verdade, e sim, discutir como viver em sociedade. No caso das drogas, mostrar como são nocivas à sociedade, à saúde do usuário e como destroem famílias.
Há quem queira transformar uso de drogas em modalidade de prazer e usuário em categoria, inclusive em universidades, como se desse para ser um usuário de drogas e, ao mesmo tempo, um cidadão comum. Usuário de maconha que vive normalmente em sociedade não é regra. Quem gostaria de ser operado por um médico viciado em cocaína, em crack e, até mesmo, em maconha?
Sei que há drogas e drogas. Mas, em todas elas, existe a busca, sobretudo de jovens, do prazer irresponsável e ilimitado, portanto, drogado moderado não é regra. Droga vicia e quem começa usando maconha, quase sempre, passa a usar algo mais perigoso, somando-se a isso, o álcool, aí o sujeito passa a ser um perigo a outros indivíduos. E é assim porque é, não porque eu quero. É só olharem as estatísticas e ver o índice de culpa do álcool nos acidentes de trânsito. Imaginem um alcoólatra viciado em crack. O sujeito se torna um assassino e suicida em potencial.
A busca de prazer nas drogas lícitas ou ilícitas se tornou algo religioso. Resultado de uma juventude pouco reflexiva, de indivíduos que não sabem se controlar e acham que desejo é direito, no limite, acham que tudo pode e que não existem limites. Vivem uma liberdade negativa.
Turbinar o corpo e sentir prazer a qualquer custo virou coisa banal. Arriscar a vida em nome desse hedonismo não é problema para muitos. Que futuro nossa sociedade terá se tivermos uma penca de irresponsáveis, doentes e traficantes no futuro? Essa é uma questão que deve ser discutida. Eis aqui um escriba que não tem medo de ser chamado de moralista, de direita, de conservador, o diabo. Sei bem as consequências que as drogas podem causar a uma família. Leio sobre assunto e não sou nenhum filhote de papai que fala em usar drogas por curiosidade ou porque quer tirar um barato.
Não é uma questão de renda, mas de pobreza de informação e déficit moral de uma juventude e homens que só pensam no prazer imediato, que são guiados pela loucura do viver o hoje. Isso é periogoso. É um modo de vida dos tempos de império romano em decadência. Estamos na decadência?
O governo deve agir. Assim como a sociedade. As escolas devem ser visitadas por profissionais da área de saúde e especialistas sociais no assunto, no mímino, uma vez por mês e o governo deve intensificar campanhas como esta que exporei abaixo. Drogas é um problema que envolve diversas dimensões, não é uma questão simples, mas deve ser combatida. Manter-se inerte diante dela, jogando a coisa para o âmbito individual e, apenas moral, não é o mais indicado. Dialogar sobre, é o mais probo. Vejam: